terça-feira, maio 08, 2007

Pseudo-intelectual na educação














No meio acadêmico percebo a proliferação de Pseudo-intelectuais. Ele é facilmente identificado e bastante conhecido no meio em que trabalha. Geralmente adora aparecer e estar perto de quem tem o poder. Tem aversão a trabalhos mais humildes e prefere não trabalhar e passar muitas privações do que pegar no pesado com vergonha do que os seus “amigos” (amigos entre aspas, pois geralmente esse tipo de pessoa não cria vínculos) vão dizer. Tem um ar de superioridade e adora filosofia, poesia, fumar cachimbo, andar com livro debaixo do braço e não suporta programas populares da televisão. No cinema curte um filme Iraniano e no teatro não resiste a uma peça filosófica (mesmo que não entenda nada). Num caso mais grave ele adota uma gravata borboleta e uma calça com suspensórios.

Nos dias de hoje, as universidades precisam de pessoas com experiência de vida e experiência profissional e é claro de uma sólida formação acadêmica. No meu entendimento uma sólida formação acadêmica não é aquela que foi feita numa universidade de renome. Uma sólida formação acadêmica depende de quem fez e não da universidade que proporcionou o curso.

Já mencionei várias vezes no meu blog o que é branding. E um pseudo-intelectual não tem nada a ver com branding e sim com um marketing muito mal feito. E como o professor é a alma da instituição e é ele quem vai levar as impressões para o público final que são os alunos. Por isso os coordenadores e os gestores precisam ficar muito atentos para não permitirem o marketing mal feito indiretamente por esse profissional. Além de que um profissional da educação pseudo-intelectual estará formando outros pseudo-intelectuais também.

Muitas Instituições de Ensino estão enfrentando problemas de marketing. Muitas enfrentam o alto número de alunos inadimplentes, a baixa demanda pelos cursos oferecidos e a grande concorrência. O resultado disso é que os gestores estão sendo forçados a estudar cuidadosamente o marketing que está sendo efetivado em sala de aula, pois esse sim é o mais relevante.

Outro dia entrei numa comunidade de uma faculdade muito tradicional de São Paulo. Inclusive a faculdade que me formei. O que me fez rir muito. Os tópicos de discussão geravam em torno dos professores e não da instituição. Alunos diziam que os professores usavam a mesma transparência desde a época do avó deles....E o pior que é verdade!! Eu conheço o professor.

Então é por essas e outras que a cada dia as Instituições perdem mais alunos, pois não correspondem às expectativas de seus alunos e públicos. É claro que a administração gostaria de corresponder mais, mas faltam-lhe influência sobre o corpo docente. Além disso, falta aos administradores a sensibilidade de reconhecer um pseudo.
As Instituições ficam tão deslumbradas com a titulação de seu corpo docente que perdem a visão do que seus alunos e stakeholders necessitam. Essas instituições são tão presas a esses conceitos que agem como que os desejos de seus alunos nunca mudassem.
Infelizmente as instituições não estão atentas a esse fenômeno que acorre na educação.



20 comentários:

Anônimo disse...

Não me sentia confortável em pensar nisso. Mas já que vc teve coragem de abordar o tema, devo te dizer que também percebo essa proliferação. É ridículo. Essas criaturas podem pôr a perder grandes talentos pela intimidação que está contida em seu jeito de se impor e de agir. Nem sempre vale a pena se indispor ou entrar numa discussão. Vira um embate sem fim. Parto da premissa de que numa universidade particular existem alunos que sabem a quê vieram, pois pagam mensalidades com dinheiro que é fruto de trabalho e porque prezam por um futuro melhor. Ser um pouco humilde, muitas vezes, pode ser um sinal de sabedoria. Enquanto aluno, acredito que o melhor mesmo é manter distância do pseudo-intelectual. Mas se houver uma proximidade inevitável, que se possa ao menos achar graça disso. Parabéns!

Prof.Valente disse...

LUCIANE: vc se suplanta a cada dia !! PARABÉNS, excelente texto, e sei que foi vc mesmo que criou e elaborou, realmente muito bom !! E ainda por cima ILUSTRADO (rs,rs,rs) ...

João Mattar disse...

Luciane, nossa, seu texto mistura tantas coisas que talvez valha a pena separar algumas um pouco. Pode ter intelectual (dos bons) que também adora aparecer, e estar perto de quem tem o poder parece que é uma praga independente da qualidade do intelectual. O poder corrompe. Aliás, vou trabalhar com meus alunos nestas últimas semanas o conto O Enfermeiro, do Machado, por sugestão da professora Wanderlucy, que não é exatamente sobre o poder, mas sobre a ética, que no final tem relação com o poder: quando estamos no poder, relaxamos nossas exigências éticas. Foi feita uma experiência em Stanford uma vez, em que alguns voluntários viravam guardas de uma prisão, outros prisioneiros: deu caca, porque os guardas passaram a abusar de sua autoridade. Tem inclusive um filme (alemão, não italiano, rs) muito interessante sobre o tema, chamado A Experiência. Em universidades, parece que acontece isso: quanto mais um professor se afasta dos alunos, e sobe na hierarquia, mais começa a se sentir dono do mundo e então abusa de suas funções.
Não entendi muito bem a questão dos trabalhos humildes e do pegar pesado em relação aos professores. Agora, adorar filosofia e poesia não é pecado (eu adoro - mas talvez seja pseudo-intelectual, rs), e confesso que também não gosto muito de programas populares de tv (mas adoro futebol - então estou salvo? rs). Não gosto muito de filmes italianos, mas também gosto de peça filosóficas.
O alto número de alunos iadimplentes talvez não tenha relação apenas com o marketing mal-feito dos seus pseudo-intelectuais, mas há muitas variáveis envolvidas: o mercado mudou, os currículos mais ou menos flexíveis, os projetos mais voltados para a educação (ou apenas para o lucro), a qualidade dos professores, a inovação nos métodos de ensino etc.
Inovação nos métodos de ensino tornou-se uma questão de sobrevivência, e não adianta só trocar a transparência, pois as gerações que chegam são muito diferentes das nossas, então corremos o risco de ficar falando para paredes, mesmo com transparências novas.
Outra coisa em que você toca e me parece essencial: a administração mais próxima dos docentes. Isso é essencial, quanto mais a administração se fecha em análise de planilhas financeiras, mais se afasta dos professores, dos alunos e da educação, e aí fica uma instituição esquizofrência, que deveria fazer educação, mas esqueceu.

Fábio Fusco disse...

Luciane,

seu texto é muito lúcido e nos alerta para a existência destes elementos, pseudo-intelectuais, que nada contribuem para o crescimento da classe, docente e discente. Muitos são confundidos como profissionais sérios, por não serem tão estereotipados, e até conseguem enganar por longos períodos de tempo. Seu alerta está lançado, cabe a nós expurgar estes elementos do nosso meio e engrandecer a categoria.
Parabéns pela lucidez.
Fábio Fusco

Roberto Indini disse...

O ponto é exatamente esse! o "falso" intelectual consegue através de todos os meios "subir", sendo que o único meio que não usa é a competência. Isso produz uma sociedade acomodada e que vive de aparências, politicagem e superficialidade, pois como bem colocado, são pessoas sem nada de real para ofecerer.
Não podemos nos enganar com essa "raça", pois ela afeta todos os escalões sociais e produz uma reação em cadeia muito conhecida:
ESTUPIDEZ!

Solange R E M Carvalho disse...

É realmente incrível como esse fato da presença dos pseudo-intelectuais na educação ocorre. Os alunos se vêem numa situação embaraçosa por assim dizer, visto que é ali que eles buscam um apoio para o desenvolvimento de seu talento, visando aprimorar a sua carreira profissional. Nesse caso, é de suma importância que o aluno se identifique com a realidade do mercado de trabalho, unindo a teoria ali aprendida à prática que enfrentará no cotidiano, sendo que a presença do pseudo-intelectual atrapalha muito nessa relação, visto que pode frustrar a expectativa do corpo dicente. Isso aconteceu razoáveis vezes no curso em que conheci a Luciane, onde chegávamos a nos perguntar o que estaríamos fazendo ali. Por sorte, da mesma forma que ela considera que "...Uma sólida formação acadêmica depende de quem fez e não da universidade que proporcionou o curso...", acredito que é o aluno quem tem que acordar para o que o futuro lhe reserva e se armar com o arsenal de ferramentas que a faculdade lhe oferece para a batalha rotineira do dia-a-dia.

Elaine disse...

Nossa Lú,que excelente tema vc abordou!
Realmente existem vários falsos intelectuais,o que ganham com isso?No meu ponto de vista é um ganho momentaneo,porque,perde-se muito tempo no jogo da mentira e com isso,deixam passar a chance de aprender e aí é que esta o perigo...péssimos profissionais de hoje em dia!
Tenho um amigo que se encaixa nesse perfil hahaha
Bjos

Denise disse...

Luciane,

Muito inteligente e elucidativo o seu texto. È muito dificil conviver com esses "intelectuais", porque na verdade "eles" tem grande dificuldade de relacionamento interpessoal, e normalmente só tem vida "acadêmica", não sabem lidar com pessoas, com emoções e com sentimentos...
Tem alguns que realmente tem "cohecimento", mas não sabem compartilhar... e o "saber" só é válido se for compartilhado , não é mesmo!!!!

Denise Dourado
Psicóloga/Pòs Graduada em Psicologia Hospitalar/Psiconcologia/Gerntologia

Anônimo disse...

JOSENITO MEIRA disse:
Ao ler esse texto deparei-me com a figura do pseudo-intelectual voltado ao meio acadêmico. No entanto esta figura encontra-se em todos os ramos de atividade. São aqueles "profissionais" que nada fazem de iniciativa própria, mas, ao ver aproximar-se um superior hierárquico, simula a leitura de um manual, para "mostrar" que tem interesse pela literatura da empresa, querendo, a todo instante, passar a falsa imagem de um bom profissional.
Tal como o pseudo-intelectual acadêmico, "encosta-se" em quem detém o poder, para alcançar altos postos sem o devido mérito que dele se poderia esperar. É o enganador que, com toda a certeza, no futuro fará com que a empresa pague caro pelo descuido de quem o prestigiou em prejuízo dos que realmente mereciam uma melhor oportunidade.
Esse "profissional" vai denegrir a imagem da empresa, pois nada fará para enaltecê-la, visto que não tem o necessário conhecimento e conveniência para favorecê-la.
Gostei do texto por abordar com maestria o que vem acontecendo no segmento acadêmico, especialmente nas universidades em que devido a negligência nessa determinação, acaba transformando-se em problemas de inadimplência e pouco interesses pelo serviço ofertado ao público, indo de encontro com o fracasso empresarial, devendo os gestores voltar-se urgentemente à prática do marketing interno para refleti-lo externamente, para assim tentar salvar a instituição.

Alessandra Palopoli disse...

Esse texto reflete muito bem a atualidade das nossas entidades educacionais.Parabéns, você escreve com muita clareza e profundidade...Quem dera, todos os nossos mestres assim o fizesse. Continue escrevendo para abrir caminhos e mentes.

Anônimo disse...

Ola Luciane,

Parabéns pelo texto e pela forma de abordar o assunto. Com toda certeza o conhecimento só é valido se for compartilhado.

Domingos Biondi

Anônimo disse...

Pseudo-intelectual, “nomezinho” comprido e no meu entendimento poderia ser facilmente substituído por adjetivos não menos indiscreto. Indiscreto sim, porque mostra facilmente a quem presta atenção, e não a quem olha – pois quem olha não vê – o quanto à fraqueza desses “tipos” é abundante.
Não atribuo a culpa somente a esses “tipinhos”, como no próprio texto é bem ilustrado eles podem ter sido influenciados e é nesse momento que o sentido de “cuidado” toma proporções estratosféricas para as instituições de ensino.
No primeiro dia de aula um professor de estatística, Paulo Bellino, disse “A partir de hoje vocês serão outras pessoas e no modo de pensar evoluirão e se isso não acontecer, vocês não fracassaram sozinhos, por isso cobrem-nos”. Isso me marcou de tal forma principalmente porque depois pude compreender o que ele estava dizendo em todas as palavras.
Compreendi ainda, que nesse momento em que pessoas começam a serem “transformadas” o nível de cuidado aumenta, pois dali pode sair para o mundo mais cópias mal feitas (porque o nível de educação está baixíssimo inclusive nas instituições de ensino superior) de “Pseudo-intelectuais” que influenciarão outras pessoas em “transformação”.
O problema não para ai existe ainda nas instituições de ensino os “Pseudo-sabem tudo – médicos - intelectuais” são aqueles que não aceitam que alguma informação lhe passou despercebido e que outras pessoas que teoricamente sabem menos que eles estão lhe trazendo tais informações então o que eles fazem “aplicam um medicamento” para acabar com esse mal, que vai de desmotivação ao isolamento do restante do grupo.
É claro que também existem desses “tipinhos” que desenvolvem, são os “autodidatas antenados pra coisas pequenas” que logo se tornam um “Pseudo-intelectual Master”.
Você caro leitor, pode prestar atenção e talvez depois que esse tema foi levantado você prestará ainda mais, e se você enxergar alguém com esse mal entenda pode ser por diversas razões que não adjetivei acima: Fracasso, influencias, falta de personalidade, mentira de quem a pessoa realmente é, falta de realização, E NADA DISSO É MERA COINCIDENCIA!
Ananias Rodriguez

Anônimo disse...

RENE DISSE : MUITO BOM , VC RELATOU A REALIDADE DESSE PAÍS , QUE TEM QUE SER RELATADO , E EXPOSTO A TODOS .ESTUDEI EM UMA UNIVERSIDADE QUE TEM A APARENCIA DO QUE , VC DESCREVEU .
E VEJO NO DIA A DIA , QUE ISSO ACONTECE DIARIAMENTE.

Fernanda Furuno disse...

Oi Lu! Gostei muito do seu blog! Parabéns... ;)

Pseudos-Intelectuais estão por toda parte, mas realmente meio acadêmico... eles se proliferam mais... sempre nos barramos com pessoas assim quando vamos a eventos, participamos de apresentações, assistimos aulas, recebemos fornecedores, realizamos entrevistas...

Mas existem os intelectuais sérios e este devemos respeitar ;)

Cabe a nós identificar as diferenças e para isso, precisamos conviver com os dois gêneros...

Beijão,
Fernanda

Fernando Flessati, professor, consultor, facilitador, especialista em Gestão e Marketing disse...

Lucianne, parabéns pela dedicação ao ensino e a causa do Marketing Educacional. Representa um novo e interessante nicho a ser desenvolvido em prol das universidades. Bj FF

Nilo Renato disse...

Corajosa e verdadeira a abordagem Luciane, e eu diria também oportuna. Precisamos de docentes focados em aperfeiçoar o intelecto dos nossos alunos e esse tipo de pseudo-mestres, muito comum em nossas universidades e descritos c muita propriedade no seu artigo, mais parecem interessados apenas em demonstrar sua pseudo-capacidade, que chega aos níveis da mediocridade na maioria das vezes. E o q é pior: mestres são modelo. Infelizmente, caso nada aconteça, dá p perceber onde vamos parar...

Andréia Coura disse...

Essa pessoa que vc descreveu é um narciso e o pior é que é modelo de muitos, já que é na área da educação.
No direito, tem uma agravante; juízes e promotores ministram aulas sem formação para a atividade. Para serem professores, é necessário que o sejam!!!!
Para mim, o intelectual, para ser chamado assim, deve, em primeiro lugar, amar sua área de atuação. É do amor ao campo de investigação que surge a imaginação explorativa (Rubem Alves. Filosofia da Ciência. p. 170.
E amando o que faz, amará tb seus alunos, interessando-se por suas necessidades!

Anônimo disse...

Luciane
Os pseudo- intelectuais não proliferam somente nos meios acadêmicos, embora nestes a sua demanda é bem acentuada.Estes pseudos-intelectuais estão sempre à serviço de alguém e, sem dúvidas, gostam mesmo de aparecer, querem ser o pano de fundo do cenário.O intelectual precisa estar bem alicerçado na formação acadêmica, esta sim vai lhe dar as bases para produzir um bom trabalho.
O prfessor é a figura central em qualquer instituição de ensino, pois a sua responsabilidade deve sempre estar voltada ao aluno.
Sua crítica a respeito de "uma determinada instituição educacional" além de procedente é baste oportuna, a realidade é aquela apresentada por você, infelizmente o professor,na sua maioria, não evoluiu e continua anos e anos batendo na mesma tecla sem vontade alguma de aperfeiçoar e acompanhar o desenvovimento tecnoogico. O professor é a mola propulsora para imagem de uma institução de ensino, uma pleiade destes, com boa formação cultural e com ferramentas adequadas para empusionar o saber, levantam a imagem de uma instituição posicionando- na comunidade.
Gostei do seu texto vcê foi muito feliz em suas colocações.
Professor Hermes 13.05.07

Francisco disse...

Professora, parabéns pelos teus escritos: inteligente, versáteis, proveitosos. Espero que aqueles e estes pseudo-intelectuais tenham acesso aos teus ensinamentos... talvez, quem sabe?, tenham um momento de lucidez e possam desfrutar da beleza de ser um professor... 'um eterno aprendiz', como adiantava Gonzaguinha. Estou de olho no que tu escreves!!!
Abraços fraternos!
F R Brito.

NUESIS disse...

Vc tem toda razão, Luciane. Já conheci pessoas assim, reproduzem textos e não sabem resolver problemas.
Mas se acham!!!!

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